Exposição mostra calabouços da PIDE em Setúbal

Dois painéis com doze fotografias, expostos na placa central do Mercado do Livramento, mostram as instalações da antiga prisão da PIDE em Setúbal, no tempo da ditadura salazarista. Além das imagens, a exposição conta também com textos de Vítor Zacarias e Olga Maria Cavaco dos Santos, filha de Germano Madeira, dois resistentes antifascistas que estiveram detidos naquelas instalações.

A iniciativa do Núcleo de Setúbal da URAP - União de Resistentes Antifascistas Portugueses, inaugurada na manhã de 16 de dezembro, pretende “lembrar que houve uma prisão da PIDE no bairro Salgado, em Setúbal, onde os opositores ao regime fascista eram enclausurados e torturados”, enquanto aguardavam transferência para o Aljube ou para a sede da PIDE em Lisboa, revela Pedro Soares, membro da URAP e autor das fotos expostas.

De acordo com o fotógrafo, a ideia de capturar as fotos foi fruto da “feliz circunstância” do autor conhecer os atuais proprietários do edifício, de dois pisos, sito na rua Garcia Peres, onde atualmente existe uma escola privada. Os registos fotográficos foram capturados em março de 2016 e, até essa data, o espaço dos antigos calabouços não sofreu qualquer alteração, embora o edifício tenha servido outros propósitos (delegação do Ministério da Agricultura, após 25 de abril de 1974). Entretanto, foi recuperado, para a criação de uma escola de ballet, atualmente em funcionamento.

"A URAP continua, sem desanimo, a aproveitar todas as oportunidades para denunciar os crimes e os horrores decorridos durante 40 anos de fascismo em Portugal, porque há quem queira esquecer e branquear o exílio forçado, a tortura, as doenças, a fome e as mortes na Guerra Colonial", expressou Pedro Soares, durante a cerimónia de inauguração. "Hoje damos um modesto contributo para que as pessoas recordem o que se passou durante esse período negro da nossa história", afirmou o dirigente.

A mostra, que contou com o apoio da Junta de Freguesia de São Sebastião, da Câmara Municipal de Setúbal e da União das Freguesias, está patente, pelo menos, até ao fim do ano, e o objetivo é que as centenas de pessoas que passam diariamente por aquele espaço comercial, vejam, comentem, reflitam e questionem, “para que a memória do fascismo não se apague”, conclui o autor.