Enterro do Bacalhau animou ruas do Bairro Santos

Uma multidão acompanhou, na noite de 1 de março, quarta-feira de cinzas, o tradicional cortejo do Enterro do Bacalhau que percorreu as ruas do Bairro Santos Nicolau. Esta manifestação teatral popular, que encerrou os festejos carnavalescos, partiu do Núcleo dos Amigos do Bairro Santos Nicolau e terminou na sede dos Grupo Desportivo Os Amarelos.

Incluindo várias personagens, como um bispo, freiras, coveiros e, obviamente, o defunto Bacalhau, acompanhado pela viúva “Violinha” e pelas quatro amantes, este “enterro”, que contou com o apoio da Junta de Freguesia de São Sebastião, ficou marcado pelo humor e pela sátira, evidentes na leitura do testamento.

O “Bacalhau” deixou recados ao Presidente da República que “não tem peneiras”, a António Guterres “um português de valor”, ao Primeiro Ministro “líder da geringonça”, a Passos “Desengonça” Coelho, a Paulo Portas e ao “charlatão” Donald Trump. A nível local, as mensagens foram dirigidas à presidente da Câmara Municipal: “que vá em frente com toda a confiança, que a oposição enfrente e mostre como se dança”; e ao presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião “de quem todo o povo gosta”, a quem deixou “paciência e muita sabedoria, pois ele tem a ciência de ganhar a maioria”.

Os dirigentes associativos também foram brindados no testamento. Para o presidente d’Os Amarelos “que quer manter a tradição”, deixou “um quilo de marmelos e muita animação”; já ao presidente do Núcleo dos Amigos do Bairro Santos, “que do enterro não desiste” deixou os seus “prantos” e metade do seu “chorrice”. A presidente do Grupo Desportivo Independente também não escapou e recebeu “um barril de aguardente e outro de bagaceira”. Foi ainda a última vontade do falecido deixar alguns pertences aos comerciantes do bairro. Para as viúvas sobraram apenas com as dívidas!

A animada noite terminou n’Os Amarelos com “A cégada das cégadas”, uma produção da ACTAS - Academia Cultural de Teatro e Artes de Setúbal que quer “devolver a tradição à cidade”. O espetáculo recordou “As aventuras do casal Garrafão”, com textos e encenação de Bruno Frazão, estreada em 2011. Uma forte crítica política, social e religiosa esteve patente nesta cégada que à volta das cantigas foi fazendo as suas apreciações, divertindo o público com as personagens interpretadas por Bruno Frazão, Dulce Marcos, João Praia, Paula Cruz e Flávio Fernandes, acompanhados pelos músicos Manuel Carlos Casalão e Carlos Pinto.